Adolescente de 15 anos é apreendido suspeito de torturar mais de 200 gatos durante lives
Esses absurdos têm que acabar!!
Um adolescente de 15 anos foi apreendido nesta quarta-feira (2), em São Luís (MA), suspeito de torturar mais de 200 filhotes de gatos durante transmissões ao vivo pela internet. Segundo a investigação, os episódios de violência contra os animais eram transmitidos pela plataforma Discord.
A apreensão ocorreu após aproximadamente seis meses de investigação conduzida pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, com apoio da Polícia Federal.
De acordo com a delegada Lisandrea Salvariego, coordenadora do Noad, o adolescente chegava a maltratar entre cinco e seis animais em uma única madrugada. Os investigadores identificaram uma sequência de episódios envolvendo gatos e passaram a monitorar a atividade digital do suspeito.
Além dos maus-tratos contra os animais, a investigação aponta que o adolescente também seria responsável por induzir outras pessoas à automutilação. A suspeita amplia a gravidade do caso, que passou a envolver não apenas crimes relacionados à proteção animal, mas também possíveis vítimas humanas.
Investigação começou após denúncias
O caso foi acompanhado durante meses pelas autoridades especializadas em crimes praticados ou organizados no ambiente digital. A investigação identificou transmissões em que os animais eram submetidos a atos de violência.
A quantidade de animais envolvida chamou a atenção dos investigadores. Segundo a Polícia Civil, o número pode ultrapassar 200 gatos, embora a apuração ainda deva esclarecer a extensão total dos episódios.
Após a apreensão, o adolescente deverá ser encaminhado para São Paulo, onde cumprirá medida de internação determinada pela Justiça.
Por se tratar de um menor de idade, a legislação brasileira estabelece regras específicas para a responsabilização e preserva sua identidade.
Discord é questionado sobre demora nas respostas
A investigação também levantou questionamentos sobre o tempo de resposta da plataforma Discord às solicitações feitas pelas autoridades para interromper conteúdos relacionados aos crimes.
Um relatório da Polícia Civil de São Paulo aponta que a plataforma teria levado, em determinados casos, até 17 dias para responder a pedidos emergenciais de remoção de conteúdo.
No caso envolvendo o adolescente, segundo o relatório, um alerta de emergência sobre transmissões de maus-tratos foi enviado pelo Noad em 4 de agosto, mas não teria recebido resposta da plataforma.
O Discord, por sua vez, contestou as informações apresentadas pela Polícia Civil. Em manifestação, a empresa afirmou ter revisado os casos citados no relatório e alegou ter identificado inconsistências, solicitações duplicadas, utilização de canais incorretos e situações em que medidas já haviam sido adotadas.
A plataforma também afirmou manter diálogo com o Noad e negou falta de cooperação com as autoridades.
Caso alerta para violência contra animais na internet
A investigação chama atenção para uma modalidade de violência que pode ganhar alcance por meio das redes sociais e plataformas de transmissão ao vivo. Além de permitir a prática dos maus-tratos, a divulgação do conteúdo pode estimular a participação ou a audiência de outras pessoas.
O caso também reforça a importância de denúncias e da atuação conjunta entre órgãos de segurança, plataformas digitais e entidades de proteção animal.
A investigação deverá continuar para identificar todos os animais atingidos, esclarecer a participação de eventuais outras pessoas e apurar as circunstâncias das supostas induções à automutilação.
A apreensão do adolescente não representa, por si só, uma conclusão sobre sua responsabilidade pelos fatos. As acusações ainda serão submetidas à apuração pelas autoridades competentes e aos procedimentos previstos na legislação aplicável a adolescentes.
